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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A minha primeira gravidez...

Apesar do meu marido querer ser pai desde que casámos, eu sempre me achei nova demais para dar esse passo. Aliás, ele já era pai de um menino de uma relação anterior. E na altura, sentia-me bem assim. Cresci muito com ele e amadureci. Porém, os anos passavam e embora o marido fosse insistindo, eu não me sentia preparada para ser mãe.
Três anos depois do casamento, resolvi fazer uma pausa na pílula. O que resultou numa gravidez não planeada nem desejada. Lembro-me como se fosse hoje. Chorei e desesperei quando soube pois nesse ano tinha decidido recomeçar a estudar e achei que esse bebé me ia estragar tudo. Além disso, continuava a achar-me nova demais para ser mãe. Eu só pensava que mal sabia cuidar de mim, quanto mais de um bebé. O meu marido estava em casa na altura em que fiz o teste da farmácia e eu não sabia muito bem como lhe dizer mas tinha que lhe contrar...o que me consolava era saber que ele iria ficar contente com a noticia. E não me enganei, apesar de não ter reagido com o entusiasmo que eu esperava. Ele estava contente mas não mostrou entusiasmo por saber que não era a minha vontade. Liguei logo à minha mãe que já desconfiava, vá-se lá saber porquê, que ficou radiante e tentou animar-me fazendo-me ver que era uma coisa boa, que me ia ajudar e que eu ia adorar ser mãe.
Os dias foram passando e no dia em que fiz a primeira ecografia com 4 semanas comecei a gostar mais da ideia de ser mãe. Não podia passar por uma loja de bebés sem parar, olhar e entrar. Reparava em todas as grávidas que passavam por mim e em todos os bebés. Começava a desejar o meu bebé. Estava feliz e quis partilhar com toda a familia e amigos. Contámos ao filhote do marido, na altura com 7/8anos sobre a possibilidade de ter um mano ou mana (não quisemos confirmar porque achámos que só quando a barriga se notasse é que o deveriamos fazer) e ele disse que queria ter uma mana. Estranhámos e perguntámos se não queria antes um mano para brincar, mas ele continuava a dizer que queria uma mana. LOL Tudo estava a correr bem.
Fui passar uns dias com os meus pais a casa deles. Num desses dias, sem que desse por nada, tive uma hemorragia e fiquei assustada. Fui com com o marido e a minha mãe para o hospital onde me disseram que a placenta tinha descolado e que iria precisar de fazer repouso absoluto. Resolvi ficar em casa dos meus pais e só saia da cama para ir ao wc. Estava confiante e sempre achei que iria correr tudo bem. Mas a hemorragia não parava. Fui novamente ao hospital onde me disseram que não havia nada a fazer além do repouso. Não contente com a essa resposta, marquei consulta num obstetra particular que depois de uma ecografia me disse que tinha perdido o bebé...
Na altura não reagi mal, no meu intimo até pensei que tinha sido melhor assim. O dr. explicou que era normal acontecer na 1ªgravidez e que até tive sorte por ter sido logo no início e não no final. Explicou-me que o corpo da mulher funciona tão bem que sabe como reagir nestas situações e se o meu corpo rejeitou, foi porque vinha com malformação. Na altura, agarrei-me a essa explicação e tentei consolar o meu marido e a minha mãe dizendo que tinha sido melhor assim e que para a proxima iria planear a gravidez e iria correr tudo bem.
Fizemos a viagem até casa sempre em silêncio. Mas assim que entrei no quarto e o meu irmão me perguntou como tinha corrido, chorei tanto que nem sabia onde ia buscar tanta lágrima. Senti uma dor enorme no coração como nunca tinha sentido. Nunca pensei sentir o que senti por um bebé que no inicio, e no meu intimo, nem sequer queria. Nunca tinha sentido nada assim, nunca chorei daquela maneira. O meu irmão foi logo chamar o meu marido e só me apetecia bater-lhe. Foi uma sensação horrivel. Lembro-me de me diserem que dentro de uns tempos podia engravidar de novo e iria correr tudo bem mas eu só pensava que era aquele que eu queria, que não queria outro. Foi muito complicado, e contar a toda a gente o que tinha acontecido também. O filhote do marido apercebeu-se que se passava alguma coisa pois tive que o levar ao hospital para ver se estava tudo bem comigo, e perguntou se eu estava grávida. Eu tive que lhe contar o que tinha acontecido e fiquei quase em lágrimas quando, com tanta inocência, ele me disse:
"Não fiques triste... Desculpa, eu pa próxima peço um mano."
Jamais esquecerei que ele tinha pensado que a culpa era dele, que tinha pedido mal. Tentei explicar-lhe que ele não teve culpa, que nem sequer ainda dava para ver se era menino ou menina, que se calhar até era menino. Partiu-me o coração... 

Hoje, quando penso nisso, sinto que fui muito burra e imatura por ter tido aqueles pensamentos egoistas e ter ficado triste quando soube que estava grávida.
Passado 3 anos, voltei a engravidar e hoje fazemos 31 semaninhas! Mas não conseguia escrever uma linha sem "enterrar" a minha 1ªgravidez.

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